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CUT quer criar banco de dados unificado dos projetos internacionais de suas filiadas


26/02/2013 - Isaías Dalle

Foto de Roberto ParizottiFoto de Roberto ParizottiAlém de abrir novas frentes de atuação, o Instituto de Cooperação da CUT (ICC) tem por objetivo unificar as ações, projetos e programas internacionais realizados pelas entidades filiadas à Central. Confederações, federações e sindicatos cutistas já mantêm parcerias com entidades sindicais estrangeiras, e a direção da CUT acredita que se as informações e o próprio andamento desses projetos forem compartilhados por intermédio do Instituto, os resultados poderão ser maiores e melhores.

“Há projetos de cooperação realizados por diferentes entidades filiadas à CUT acontecendo num mesmo país, e por vezes sem conexão entre eles”, explicou o presidente do Instituto, Artur Henrique, durante a “12ª Conferência Pesquisa e Ação Sindical – Cooperação Sindical Internacional: Diagnóstico e Perspectivas”. “Agrupadas, as informações sobre esses projetos vão permitir que a CUT potencialize os resultados, crie uma estratégia mais aprimorada”, completou.

Por essa razão, apontada como uma das que motivaram a CUT a criar oficialmente, em dezembro do ano passado, o Instituto de Cooperação, a Central está solicitando a suas entidades que encaminhem informações sobre projetos internacionais em curso – país onde o investimento está sendo feito, ramo de atividade em que se situa, objetivos etc. A direção da Central já enviou correspondência para as entidades com esse objetivo. “Nossa intenção não é controlar, tutelar, e sim colocar os projetos para dialogar e ampliar o alcance deles”, segundo Artur.

Clique aqui para ler mais sobre a criação do ICC.

João Felício, secretário de Relações Internacionais da CUT, também participante da terceira mesa de debates da 12ª Conferência, lembrou que o Instituto nasce para dar maior organicidade aos projetos. Segundo ele, nessa nova etapa de atuação internacional, a CUT terá uma ação cada vez mais institucional e menos conjuntural. “As relações devem ser entre entidades, não entre pessoas. Queremos parcerias com entidades que façam parte de um grupo de quem quer mudar o mundo, de quem quer enfrentar de maneira organizada o capital”, disse.

No continente americano, a parceria com a CSA (Confederação Sindical das Américas), à qual a CUT é filiada, é considerada muito importante, segundo os debatedores, para garantir, justamente, organicidade, unidade e institucionalidade para os projetos já em curso e para os que virão. Nas palavras de Rafael Freire, secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA, para visar um “horizonte estratégico”.

Num cenário de dispersão sindical como se observa na maioria dos países do continente e diante do objetivo de promover entidades sindicais com o maior número possível de trabalhadores sindicalizados, está superada a época de fechar parcerias bilaterais calcadas na figura deste ou daquele dirigente, segundo Rafael.

O Instituto também pretende atuar na elaboração de projetos e na captação de recursos para financiá-los junto a órgãos de governo, agências de fomento e entidades internacionais. “Sempre com a participação de nossa entidades, de cada ramo de atividade, pois quem conhece a realidade e as necessidades de cada setor são elas”, explicou Artur.

Também ontem à tarde, uma mesa com representantes da UNI Global Union (federação internacional do sistema financeiro), da ISP (Internacional de Serviços Públicos), da IndustriAll (federação internacional do setor industrial), da IE (Internacional da Educação), ICM (Internacional da Construção e da Madeira) e da UITA (Internacional da Alimentação) compartilharam experiências de cooperação e apresentaram os principais desafios para os próximos anos nessa área.

Tina Hennecken, vice-diretora da Fundação Friedrich Ebert e moderadora da mesa de debates que encerrou o encontro, lembrou que ocorre atualmente um refluxo no financiamento internacional aos movimentos sociais e sindical, em grande parte por causa da crise econômica internacional. Na opinião dela, essa lacuna não apenas exige uma nova forma de atuação da CUT, mas também abre oportunidades para a Central, especialmente agora, que os movimentos de outros países demonstram cada vez mais interesse na experiência brasileira acumulada nos últimos 10 anos de governos pós-neoliberais.

Clique aqui para ler mais sobre a 12a Conferência.

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